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terça-feira, novembro 25, 2008
sábado, abril 05, 2008
Dias Desiguais
Há dias que começam azuis e depois vão escurecendo e arrefecendo. Às tantas o céu carrega-se de nuvens cinzentas que vão escurecendo, a humidade envolve-nos e o frio entranha-se em nós pesadamente, com força, oprimindo e cortando-nos a respiração. Nessa altura, se tivermos sorte, voltamos a descobrir que o gajo que nos agarra os sonhos no ar e os torna realidade é também aquele que nos apanha a alma, nos espanta os papões, nos afasta os pesadelos e nos volta a embalar até sonharmos de novo. Daqui por uns tempos voltarei a ver papões e a ter pesadelos. Mas por agora, e apesar do sol já se ter posto, estou quentinha e aconchegada e com a certeza de que, por mais que ame os meus amigos e que eles me façam sentir bem, é em casa que está o meu espanta-espíritos.
sexta-feira, dezembro 21, 2007
Do que não foi nem nunca será
Hoje, às compras na rua, senti o vento na cara e uma súbita vontade de te beijar. Daquelas vontades intensas que tenho às vezes. Começa com uma forte comichão nos lábios, espalha-se pela cara, desce num tremor à barriga e arrepia-me a pele do corpo todo. E sinto que tenho de te beijar imediatamente, um daqueles beijos fortes, colantes, que provocam trovoadas e nos fazem duvidar da tectónica de placas como explicação.
Mas depois o vento acalma e a vida segue, com milhentas preocupações a encherem-me os pensamentos, dúvidas, ânsias, decisões, risos e conversas, que retiram a urgência ao beijo e o afastam do meu corpo.
Quando por fim chegas a casa, cansado mas com os olhos quentes e risonhos, a pressa de partilhar o dia invade-nos e por entre as solicitações dos miúdos e o passeio do cão, o beijo esfuma-se, como se nunca tivesse tomado conta de mim. Haverá outros beijos e outros momentos, mas aquele perdeu-se para sempre, levado pelo vento que o sugeriu.
Quantos beijos teremos perdido já?
quinta-feira, setembro 13, 2007
segunda-feira, junho 25, 2007
Quase
Oiço a chave na porta às 5 horas. É cedo, demasiado cedo. Entras com um ar alucinado. Transpirado, de olhar vago, respiração acelerada. Pergunto-te se está tudo bem. Olhas-me como se me estivesses a ver pela primeira vez e respondes que sim. "Estou cansado, muito cansado..." Vais para o quarto e deitas-te. Pouso a mala com que me preparava para sair e preparo-te um vermute bem fresco que te levo ao quarto. Dizes-me que te levantas quando eu voltar.
Regresso a casa uma hora depois e já estás ao computador a trabalhar. Os teus dedos dançam no teclado de forma hesitante, sem certezas, quase penosamente. De vez em quando chamas-me, para clarificar palavras. Continuas com o olhar perdido. Faltam dois dias.
segunda-feira, maio 28, 2007
Beijo
Hoje fui do Aeroporto ao Rato em busca de um beijo. Há alturas assim, em que nada nos serve, nada nos cala, nada nos sacia a não ser um beijo. E não serve um beijo qualquer, tem que ser o beijo perfeito para a ocasião, que os beijos não são todos iguais. Há beijos arrebatadores, com promessas de sequelas tórridas, beijos tímidos, a perguntar se é boa altura, beijos desinteressados, a dizerem "olá, tudo bem?", beijos curiosos, de quem se começa a conhecer e tem vontade de explorar... Hoje nenhum destes servia.
Hoje precisava do beijo que tive, doce, suave, terno, a tocar na alma, a prometer estar lá, hoje e sempre, a dar apoio, compreensão e amor, daquele amor sem pressões nem pressas, que confia e protege. Como eu queria, como era preciso.
Demorei duas horas a ir e vir, só por um beijo, mas valeu cada segundo...
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
terça-feira, março 08, 2005
Cinderela
Faz hoje exactamente 11 anos que beijei pela primeira vez o meu príncipe encantado. Eu até acreditava em magia, mas não em príncipes.
quarta-feira, janeiro 19, 2005
As Horas
Das 24 passamos sempre 8 juntos. As 8 horas em que dormes... E os fins de semana que são sempre demasiado curtos e demasiado cheios. E querer ou não é um exercício sem sentido.
segunda-feira, janeiro 10, 2005
Companhia
Hoje não queria estar sozinha. Isto é verdade quase todos os dias. Desejo que chegues cedo, que me abraces e que faças o mundo desaparecer. Desejo muito, desejo diariamente.
Às vezes chegas cedo, mas só isso não chega para tornar o meu desejo real.
Às vezes chegas cedo, mas só isso não chega para tornar o meu desejo real.
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