terça-feira, agosto 08, 2006

Campismo

A ideia partiu dos miúdos. Quando lhes expliquei que só tínhamos uma semana de férias para passar juntos, os quatro, disse-lhes que podiam escolher onde é que a queriam passar. Esperava que escolhessem um dos destinos habituais: praia a Sul ou uma ida para a odiada vilazinha. Para minha surpresa os pimpolhos responderam quase ao mesmo tempo e com uma só palavra: campismo. E ali fiquei eu de boca aberta, enquanto que o JP se escangalhava a rir.
Não é que eu não goste de campismo, mas acampei durante toda a minha infância e boa parte da adolescência e perdi as ideias românticas sobre o assunto. Lembro-me bem de dormir no chão duro, das melgas, do calor dentro da tenda, da falta de privacidade das paredes de pano, da falta de privacidade das casas de banho, dos mosquitos, das moscas, das formigas, dos lacraus... E depois há o pó, que invade tudo, a ideia de cozinhar, lavar loiça, lavar roupa... Afinal não gosto mesmo do campismo!
Mas não podia dizer isto aos miúdos depois de os ter deixado escolher. Ainda por cima era só uma semana. Assim ditei as minhas condições: qualquer sítio da fronteira para lá, num parque com piscina e água quente e sandes e fruta para os almoços, restaurantes para os jantares. A história da fronteira não tem a ver com mania nenhuma, mas sim com a sorte de conhecer relativamente bem o País e querer alargar horizontes.
Escolhido o sítio, iniciei os preparativos: comprar tenda, verificar colchões e sacos-cama, organizar tudo. E lá fomos, madrugada fora, rumo ao sol nascente, que é precisamente onde se acaba o romantismo todo. Todas as coisas chatas de que me lembrava aconteceram e ainda: a tenda era horrível e apertada, os restaurantes caros, as terrinhas que visitamos meio feiosas, o mar frio, para além de aranhas e osgas. Os Espanhóis que acampavam no nosso parque achavam que 23 horas era a hora ideal para jantar e ouvir flamengo em altos berros e o mais incrível é que nós, cansados de dias inteiros a banhos e turismo, adormecíamos na mesma, ao som das espanholadas.
Ainda assim foi uma semana boa, porque estávamos os quatro juntos e fazíamos tudo juntos. Acabámos em beleza na Isla Mágica, a estourar os últimos cartuchos.
Mas nunca me vou esquecer do dia em que enfrentei uma birra da Sofia, que queria ir com o pai e o irmão comprar pão. Estava cansada, empoeirada, a espirrar com o pó e quando ela berrou:"Quero ir com eles!!!" Berrei de volta:"E eu quero um quarto de hotel!"

sexta-feira, julho 28, 2006

De madrugada

As malas estão feitas, o carro carregado, os miúdos dormem. Daqui a pouco, poucochinho vai ser hora de zarpar. De madrugada, como quando eu era pequena e pedia aos meus pais para me acordarem quando o Sol nascesse. Nunca acordavam. Faziam bem, as viagens grandes são muito chatas. Daqui a pouco sou eu a torcer para que eles não acordem cedo.
Nunca percebi que raio de importância dava eu ao nascer do Sol. Quis ver o Sol nascer durante quase toda a minha infância e quando finalmente vi detestei. Odeio a luz da aurora, põe-me doente, fisicamente maldisposta. Amanhã não vou estar de bom humor antes das 10, já sei. Mas vamos de madrugada, na mesma, para evitar o calor e o trânsito.
Bom Verão!

Semana a Sul

Aqui. Num local estreito, entre dois mares e dois continentes.

quinta-feira, julho 27, 2006

Sete Mares

Tem mil anos uma história
de viver a navegar
há mil anos de memórias a contar
ai, cidade à beira-mar,
azul...

Se os mares são só sete
há mais terra do que mar...
Voltarei, amor,com a força da maré...
ai, cidade à beira-mar,
ao sul...

Hoje, no vento do norte,
fogo de outra sorte,
sigo para o sul!
Sete mares!

Foram tantas as tormentas
que tivemos de enfrentar...
Chegarei, amor, na volta da maré,
ai, troquei-te por um mar
ao sul...

Sétima Legião

quarta-feira, julho 26, 2006

segunda-feira, julho 24, 2006

domingo, julho 23, 2006

Dolce fare niente

Não só é doce como engorda.

quinta-feira, julho 13, 2006

Telenovelas

Defendo com unhas e dentes o direito de cada um à sua telenovela. Aqui há uns tempos seguia esta:






Agora que já tenho os episódios todos sigo esta:



E esta:

sexta-feira, julho 07, 2006

Histórias de Encantar

Festinhas de Final de Ano.

O Príncipe:


E a Princesa:


quarta-feira, julho 05, 2006

Tirei a gabardina...

...para ir à casa de banho. Bolas!

O método científico aplicado ao Fado

Começamos a aprender o método científico no 5º ano, mas a verdade é que já o temos interiorizado muito antes disso. Desde muito cedo que as crianças compreendem que, se conseguirem reunir as condições que estão presentes aquando determinado acontecimento, este repete-se. Assim, se se puserem em bicos dos pés e carregarem no botão, a televisão acende-se. Se fizerem uma grande birra e se rebolarem no chão, a avó compra-lhes gomas. Também percebem que terão de reproduzir as condições exactas: se for o botão do lado a televisão continua apagada. Se for a mãe em vez da avó apanham uma palmada.
Na verdade, desde que prestem atenção aos factores presentes é um processo muito fácil. Quando chegam a adultos têm como dado adquirido que se repetirem exactamente uma experiência obtém o mesmo resultado. Foi-lhes ensinado na escola e tudo. Portanto tratam (tratamos todos) de aplicar isto ao quotidiano. Lembro-me que, quando fumava, bastava acender um cigarro para chamar um autocarro.
Isto tudo para explicar porque é que vou ver o jogo de hoje com uma gabardina de Inverno, a fazer o pino e com o indicador direito enfiado no ouvido esquerdo. Não que seja supersticiosa, é tudo muito científico.

terça-feira, julho 04, 2006

Sans peur du lendemain

O post de hoje é dedicado à minha mamã que adicionou mais uns cromos à sua colecção de mazelas. É um miminho virtual em representação dos muitos que lhe ando a guardar.


segunda-feira, julho 03, 2006

Ena!

Os senhores da ADSE lêem o meu blog!

Senhores da ADSE

Façam o favor de atender o telefone que tenho estado toda a tarde a ligar-vos. E se acham que não percebo que, se dá sinal de chamar e depois passa a impedido, é porque me desligaram o telefone na cara, estão muito enganados.

domingo, julho 02, 2006

Mãos de ouro


Como os pianistas. Aposto como os ingleses estavam mortinhos por vê-lo pelas costas. Eu também não me importo nada.

sexta-feira, junho 30, 2006

Precisar do Tempo

Nada como abrir a boca (ou neste caso o blog) para o Fado entrar em acção. Dizia eu, aqui há uns dias, que queria não precisar do Tempo. Estou absolutamente convicta de que o dito Tempo me ouviu e resolveu pregar-me uma grande lição. Assim, desde o fim-de-semana passado que Tempo é coisa que não tenho. De todo.
Eu, que queria não precisar do Tempo, encontro-me a precisar e a não ter nenhum. Será que algum dia vou aprender a estar calada?

sábado, junho 24, 2006

Em Setembro

Ontem, durante o almoço, uma colega contou uma história que me marcou imenso. Passou-se com os pais de uma criança lá da escola e ela assistiu. Ao acompanhar a família a uma consulta de genética em Santa Maria, ouviu a funcionária dizer à mãe que a próxima consulta seria em Setembro, ao que a mãe respondeu: "E quando é isso?"
Depois da minha colega lhe ter explicado que seria no final do Verão, foi ter com o marido e disse-lhe que a próxima consulta seria em Setembro, ao que o marido retorquiu:
"E quando é isso?"
Fiquei fascinada. Acho que a felicidade deve passar por aí, por não se saber quando é Setembro.
Eu percebo que são pessoas com pouco escolaridade, pertencentes a uma etnia muito específica. Mas acho também que, se precisassem, saberiam quando é Setembro. Não precisam. Não é fantástico?
Queria não precisar do Tempo.

sexta-feira, junho 23, 2006

Despedidas

Hoje disse adeus à minha turma dos últimos dois anos. Foram dois anos de dúvidas e desafios constantes. Não serei professora deles para o ano. Este ano houve muitos dias que saí da escola sem vontade de voltar. E no entanto...
Hoje correu tudo bem, saí da escola emocionada e com a sensação de que fiz o melhor que podia. Espero que o próximo professor deles concorde. Não consigo deixar de pensar que há um miúdo que eu não devia chumbar. Não vou retê-lo como castigo nem porque ele "merece", mas porque acho que é o melhor para ele. E no entanto...
Estou sempre a dizer que não há verdades absolutas. Estou sempre a dizer que não sou dona da verdade. Já pedi opinião a duas ou três colegas que concordaram que é melhor ele repetir o ano. E no entanto...

quarta-feira, junho 21, 2006

De volta

Após uns dias de reflexão decidi voltar. Agora é a parte em que eu devia maçar-vos com as conclusões de tanta reflexão, mas não me apetece. Assim, digo-vos apenas que serviu para perspectivar muita coisa. Obrigada a todos os que se preocuparam e se interessaram.
Ah, é verdade! Eu sei que esconder o blog foi uma atitude parva. Eu sou assim, tenho atitudes parvas. Não me estou a desculpar, nem a justificar. Estou a mostrar-me. Este blog tem sido, desde o início, um espelho, mais ou menos turvo, do que me vai na alma. E o que me vai na alma é, com frequência, bastante parvo.

E agora que acabaram as parvoeiras (para já), um bom solstício a todos!

terça-feira, junho 20, 2006