quinta-feira, junho 26, 2008

Drogas

As drogas estão finalmente a bater. Não ando mocada, mas perdi a angústia e o desespero, que são sempre coisas simpáticas de se perder. Consigo pensar e hoje, pela primeira vez em mais de um mês, sinto-me feliz. Não me vou perder a pensar se é uma felicidade real ou farmacêutica, mas também não interessa. Ajuda ter um leitor de Mp3 novo e recheado de música fantástica. Hoje os meus pés dançam pela rua, mesmo sem eu querer e sinto-me leve. O tempo também ajuda. Transpiro esperança. E cheira bem.

quarta-feira, maio 28, 2008

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segunda-feira, maio 26, 2008

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domingo, maio 18, 2008

Mas porque raios anda ela a encher isto de canções?

Porque às vezes sinto que já foi tudo dito. E que outros o disseram melhor. Porque às vezes me apetece-me plagiar. E porque me apetece cantar. E porque sim.

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domingo, maio 11, 2008

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quinta-feira, maio 08, 2008

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quarta-feira, maio 07, 2008

Ranho

Olho para a folha de papel em branco e penso em como deitar cá para fora tudo o que tenho sufocado em mim.
Procuro as palavras que se revolvem cá dentro, imagino-as como a nuvem de probabilidades que descreve as posições de um electrão, como aprendi na Escola. Imagino-as como moléculas de água excitadas pelo aumento da temperatura, a movimentarem-se loucamente, a embater contra as paredes do recipiente que as contém, ansiosas por entrar em ebulição e passar ao estado seguinte, ansiosa por se livrarem do estado líquido que as prende e espalharem-se pelo espaço, desordenadamente, livres das pontes de hidrogénio que as unem.
Abro a boca e imagino as palavras a saírem como vapor de água, levando com elas os sentimento que se elevam e expandem. Expiro profundamente, tentando esvaziar os pulmões e a alma ao mesmo tempo. Inspiro e dou por mim a fungar. É Primavera. Tenho o nariz cheio de muco e o espírito repleto de sentimentos ranhosos que me prendem as palavras.
Já viram a quantidade de comparações pseudo-cientificas a que eram poupados se eu tivesse optado por uma formação em letras?

quinta-feira, maio 01, 2008

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Odeio Novelas

Odeio novelas. Odeio intensamente, com aquele ódio profundo que nos faz estremecer o corpo, respirar em golfadas e vibrar as narinas. Só assim vale a pena odiar, aliás, só vale a pena sentir com intensidade. Os sentimentos, ao contrário da água do banho, querem-se gélidos ou a escaldar, para rebentar com a indiferença.
Mas voltando às novelas, odeio os amores impossíveis, que seriam tão fáceis de resolver se os personagens tivessem um bocadinho de espinha dorsal. Odeio os dilemas morais que são na maioria das vezes tão cretinos que só nos dão vontade de rir. Odeio que os poucos personagens com espinha dorsal, os que decidem coisas e tomam atitudes, optem sempre por caminhos parvos, que tornam ridículo o sacrifício penoso por eles escolhidos. Odeio a forma como todos os personagens são sempre tomados por sentimentos extremos que lhes impossibilitam a lógica e lhes adormecem a capacidade de pensar. Odeio a importância desajustada que é dada aos sentimentos extremos, não estou a dizer que não são importantes, mas também não controlam as pessoas da forma que aparecem nas novelas.
Dizia Campos que todas as cartas de amor são ridículas. As novelas também.

quarta-feira, abril 30, 2008

Sem Tempo

Estou farta de falar do Tempo. Por mais que nos últimos dias sinta que cada vez mais o clima me espelha a alma e por mais que me seja fácil encontrar nele as analogias que me escondem os sentimentos, estou farta. Apetece-me escrever com palavras matemáticas, claras, directas, certeiras. Palavras cirúrgicas, que vão directas às dores e as amputam. E depois não posso, porque este é um blog de família e não uma parede de casa-de-banho, porque na verdade as dores não são localizadas, mas sim gerais e para as amputar iria danificar-me ao ponto de ficar irreconhecível. Se bem que, às vezes, nem me importava de não me conhecer.

quarta-feira, abril 23, 2008

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sexta-feira, abril 11, 2008

Bipolar

Às vezes penso como é estranha a influência do tempo nos meus estados de espírito. Já aqui escrevi sobre dias frios a congelarem-me a alma, dias quentes a aconchegarem-me o espírito, chuva irritante e enervar-me. Já aqui culpei o clima de tudo e mais alguma coisa. A verdade não é tão linear como isso e consigo estar feliz em dias de chuva e triste em dias de sol, mas a temperatura, de facto, predispõe-me o humor. E se isto implica cara fechada no Inverno, também implica dias de sorrisos radiosos no Verão. O problema são estas estações intermédias, que não são carne nem peixe, em que insidiosos raios de calor irrompem por entre nuvens, interrompendo as chuveiradas e fazendo-me piscar os olhos. São dias de humores variados em que, verdade, verdadinha, nem sei como me sinto. E muitas vezes passo-os a desejar ardentemente não me sentir...

sábado, abril 05, 2008

Dias Desiguais

Há dias que começam azuis e depois vão escurecendo e arrefecendo. Às tantas o céu carrega-se de nuvens cinzentas que vão escurecendo, a humidade envolve-nos e o frio entranha-se em nós pesadamente, com força, oprimindo e cortando-nos a respiração. Nessa altura, se tivermos sorte, voltamos a descobrir que o gajo que nos agarra os sonhos no ar e os torna realidade é também aquele que nos apanha a alma, nos espanta os papões, nos afasta os pesadelos e nos volta a embalar até sonharmos de novo. Daqui por uns tempos voltarei a ver papões e a ter pesadelos. Mas por agora, e apesar do sol já se ter posto, estou quentinha e aconchegada e com a certeza de que, por mais que ame os meus amigos e que eles me façam sentir bem, é em casa que está o meu espanta-espíritos.

quarta-feira, abril 02, 2008

Dias Azuis

A temperatura sobe e eu deixo o calor penetrar-me. Respiro mais fundo, ando com uma canção a rolar-me na língua. Saltito pela rua, corro se acho que ninguém me vê. Sorrio a todos, brinco com as palavras. Acabou o Inverno. Amanhã vou vestir roupa mais leve e deixar a alma levitar. Mas primeiro tenho de sair do raio da reunião gelada em que estou presa.

quinta-feira, março 27, 2008

Cantando Espalharei por Toda a Parte

Ok, se calhar cantando não que eu desafino.


quarta-feira, março 12, 2008

Escrita

Não quero escrever. Não queria escrever no início, quando tudo começou, no dia em que muito contrariada criei este blog. Continuo a acreditar que não tenho nada a dizer. Não tenho mesmo nada a dizer aos outros. Mas tenho muitas coisas a deitar fora. É tão fácil pegar na caneta e expandir a alma. E dá prazer rebuscar as palavras, sacudi-las, chocalhá-las, misturá-las até dizerem o que queremos, sem dizer demais. Porque a escrita directa não dá gozo e não limpa. E a escrita escondida perde o sentido e também não limpa. Dá prazer encontrar a forma exacta de dizer o que nos vai por dentro, como encaixar uma peça num puzzle. É indescritível a sensação de alívio proporcionada pelas ideias organizadas... mais organizadas... pronto, arejadas.
Ultimamente descubro-me a querer escrever, a buscar um pedaço de papel, nem que seja o talão do multibanco. A revolver a mala à procura do coto de um lápis, da caneta perdida. Nem tudo depois é passado para aqui. Há outros locais, outros mundos, outras formas de sentir. Há ideias que se mantém apenas nos papeis rabiscados. Há sentimentos que vão directos para o lixo, de onde vieram e de onde nunca deveriam ter saído.
Isto tudo para tentar transmitira a ideia do relaxamento que ganho quando deixo o espírito focar-se, equilibrando-se na ponta da esferográfica, enquanto traço linhas azuis secretas no papel, ilegíveis para os outros. É um movimento por vezes suave, que embala e relaxa, outras vezes brusco, nervoso, ao ritmo do coração, descarregando as preocupações, as ânsias e os gritos.
Depois há as alturas do lápis de carvão, em que não há esfera a deslizar mas sim o atrito do mineral sobre a folha, em tons de cinzento e sombra, numa escrita nublada e duvidosa que se apaga a cada passo.
A escrita movimenta-se ao ritmo da vida que muda, evolui, reinventa-se e destrói-se continuamente, fazendo lembrar os atractores estranhos, desenhando regularidades no caos.
Por tudo isto, e porque os dias são diferentes e eu também, hoje quero escrever.

domingo, março 09, 2008

Mudança

Ontem juntei-me a um mar de gente que lutava pela mudança. Mais do que contra as leis, as politicas, as condições, apetecia-me gritar por respeito, exigir respeito. Pela profissão, por mim, pelo meu trabalho e, acima de tudo, pelos alunos que acabam por ser os mais prejudicados pelas medidas incompetentes deste governo. Sei que não é fácil para quem está de fora perceber a gravidade da questão, mas ontem houve 80.000 (números da polícia) professores a gritarem-no. Não podem ser todos maus docentes. É preciso que nos ouçam.
Também foi engraçado conhecer pessoalmente alguém que leio há mais de 3 anos. Os blogues têm destas coisas, na verdade já nos conheciamos, foi só uma confirmação que existimos em carne e osso. És muito simpática Sofia!

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Ar

Uma vez disseram-me "És transparente, não és?" Não! Respondi chocada. Até acho que não é assim tão fácil lerem em mim, a não ser que me conheçam muito bem... Ou então não...
Hoje sinto-me assim, transparente, invisível. Não no sentido de revelar o que me vai dentro, mas no sentido de não me verem. Sinto que estar presente não faz diferença. Calar ou falar é igual. Eu sei, todos temos momento de não sirvo para nada, não me ligam nenhuma, não gostam de mim. E nem costumo ter esta vertente Calimero.
A culpa é de certeza da Primavera, que tarda em chegar.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Dias Não

Depois há dias assim, em que as nuvens se instalam no espírito em vez de o fazerem no céu, o ar se torna pesado e nos oprime e se torna impossível respirar. Dias turvos, lentos, em que se vê o dia a passar por detrás de uma cortina líquida que teima em tapar-nos a vista sem cair e libertar as mágoas. Dias em que temos a certeza que o amanhã vai ser melhor, só porque pior não parece possível. Dias sozinhos. Deve ser do tempo.