quinta-feira, julho 17, 2008

segunda-feira, julho 07, 2008

Espelho Meu

Atravesso a rua empurrada pelo vento, suave e morno, que brinca na minha pele como as caricias que me faltam. É um vento estranho, que me tapa os olhos com o cabelo e me impede de ver o caminho. Encolho os ombros e sigo em frente, conheço o caminho de cor.
Abro a porta e entro no elevador. Por uma vez não desvio o olhar do espelho, levanto o queixo e endireito as costas, enfrentando-me. Vejo o desprezo nos meus olhos e murmuro baixinho : "odeio-te!", por entre os dentes, sem abrir a boca. Deixo o ódio preencher o vazio que tenho dentro de mim.
Hoje, só hoje, queria ser outra.

Casulo

Agora que é Verão e se deveria começar a viver, volta a apetecer-me construir um casulo e hibernar. Não quero estar onde estou nem fazer o que preciso. Sinto que despejo a vontade com o conteúdo do estômago. Voltam as dúvidas, as ânsias, as incertezas. Devo estar a precisar de aumentar a dose.

quinta-feira, junho 26, 2008

Drogas

As drogas estão finalmente a bater. Não ando mocada, mas perdi a angústia e o desespero, que são sempre coisas simpáticas de se perder. Consigo pensar e hoje, pela primeira vez em mais de um mês, sinto-me feliz. Não me vou perder a pensar se é uma felicidade real ou farmacêutica, mas também não interessa. Ajuda ter um leitor de Mp3 novo e recheado de música fantástica. Hoje os meus pés dançam pela rua, mesmo sem eu querer e sinto-me leve. O tempo também ajuda. Transpiro esperança. E cheira bem.

quarta-feira, maio 28, 2008

...

segunda-feira, maio 26, 2008

...

domingo, maio 18, 2008

Mas porque raios anda ela a encher isto de canções?

Porque às vezes sinto que já foi tudo dito. E que outros o disseram melhor. Porque às vezes me apetece-me plagiar. E porque me apetece cantar. E porque sim.

...

domingo, maio 11, 2008

...

quinta-feira, maio 08, 2008

...

quarta-feira, maio 07, 2008

Ranho

Olho para a folha de papel em branco e penso em como deitar cá para fora tudo o que tenho sufocado em mim.
Procuro as palavras que se revolvem cá dentro, imagino-as como a nuvem de probabilidades que descreve as posições de um electrão, como aprendi na Escola. Imagino-as como moléculas de água excitadas pelo aumento da temperatura, a movimentarem-se loucamente, a embater contra as paredes do recipiente que as contém, ansiosas por entrar em ebulição e passar ao estado seguinte, ansiosa por se livrarem do estado líquido que as prende e espalharem-se pelo espaço, desordenadamente, livres das pontes de hidrogénio que as unem.
Abro a boca e imagino as palavras a saírem como vapor de água, levando com elas os sentimento que se elevam e expandem. Expiro profundamente, tentando esvaziar os pulmões e a alma ao mesmo tempo. Inspiro e dou por mim a fungar. É Primavera. Tenho o nariz cheio de muco e o espírito repleto de sentimentos ranhosos que me prendem as palavras.
Já viram a quantidade de comparações pseudo-cientificas a que eram poupados se eu tivesse optado por uma formação em letras?

quinta-feira, maio 01, 2008

...

Odeio Novelas

Odeio novelas. Odeio intensamente, com aquele ódio profundo que nos faz estremecer o corpo, respirar em golfadas e vibrar as narinas. Só assim vale a pena odiar, aliás, só vale a pena sentir com intensidade. Os sentimentos, ao contrário da água do banho, querem-se gélidos ou a escaldar, para rebentar com a indiferença.
Mas voltando às novelas, odeio os amores impossíveis, que seriam tão fáceis de resolver se os personagens tivessem um bocadinho de espinha dorsal. Odeio os dilemas morais que são na maioria das vezes tão cretinos que só nos dão vontade de rir. Odeio que os poucos personagens com espinha dorsal, os que decidem coisas e tomam atitudes, optem sempre por caminhos parvos, que tornam ridículo o sacrifício penoso por eles escolhidos. Odeio a forma como todos os personagens são sempre tomados por sentimentos extremos que lhes impossibilitam a lógica e lhes adormecem a capacidade de pensar. Odeio a importância desajustada que é dada aos sentimentos extremos, não estou a dizer que não são importantes, mas também não controlam as pessoas da forma que aparecem nas novelas.
Dizia Campos que todas as cartas de amor são ridículas. As novelas também.

quarta-feira, abril 30, 2008

Sem Tempo

Estou farta de falar do Tempo. Por mais que nos últimos dias sinta que cada vez mais o clima me espelha a alma e por mais que me seja fácil encontrar nele as analogias que me escondem os sentimentos, estou farta. Apetece-me escrever com palavras matemáticas, claras, directas, certeiras. Palavras cirúrgicas, que vão directas às dores e as amputam. E depois não posso, porque este é um blog de família e não uma parede de casa-de-banho, porque na verdade as dores não são localizadas, mas sim gerais e para as amputar iria danificar-me ao ponto de ficar irreconhecível. Se bem que, às vezes, nem me importava de não me conhecer.

quarta-feira, abril 23, 2008

...

sexta-feira, abril 11, 2008

Bipolar

Às vezes penso como é estranha a influência do tempo nos meus estados de espírito. Já aqui escrevi sobre dias frios a congelarem-me a alma, dias quentes a aconchegarem-me o espírito, chuva irritante e enervar-me. Já aqui culpei o clima de tudo e mais alguma coisa. A verdade não é tão linear como isso e consigo estar feliz em dias de chuva e triste em dias de sol, mas a temperatura, de facto, predispõe-me o humor. E se isto implica cara fechada no Inverno, também implica dias de sorrisos radiosos no Verão. O problema são estas estações intermédias, que não são carne nem peixe, em que insidiosos raios de calor irrompem por entre nuvens, interrompendo as chuveiradas e fazendo-me piscar os olhos. São dias de humores variados em que, verdade, verdadinha, nem sei como me sinto. E muitas vezes passo-os a desejar ardentemente não me sentir...

sábado, abril 05, 2008

Dias Desiguais

Há dias que começam azuis e depois vão escurecendo e arrefecendo. Às tantas o céu carrega-se de nuvens cinzentas que vão escurecendo, a humidade envolve-nos e o frio entranha-se em nós pesadamente, com força, oprimindo e cortando-nos a respiração. Nessa altura, se tivermos sorte, voltamos a descobrir que o gajo que nos agarra os sonhos no ar e os torna realidade é também aquele que nos apanha a alma, nos espanta os papões, nos afasta os pesadelos e nos volta a embalar até sonharmos de novo. Daqui por uns tempos voltarei a ver papões e a ter pesadelos. Mas por agora, e apesar do sol já se ter posto, estou quentinha e aconchegada e com a certeza de que, por mais que ame os meus amigos e que eles me façam sentir bem, é em casa que está o meu espanta-espíritos.

quarta-feira, abril 02, 2008

Dias Azuis

A temperatura sobe e eu deixo o calor penetrar-me. Respiro mais fundo, ando com uma canção a rolar-me na língua. Saltito pela rua, corro se acho que ninguém me vê. Sorrio a todos, brinco com as palavras. Acabou o Inverno. Amanhã vou vestir roupa mais leve e deixar a alma levitar. Mas primeiro tenho de sair do raio da reunião gelada em que estou presa.

quinta-feira, março 27, 2008

Cantando Espalharei por Toda a Parte

Ok, se calhar cantando não que eu desafino.


quarta-feira, março 12, 2008

Escrita

Não quero escrever. Não queria escrever no início, quando tudo começou, no dia em que muito contrariada criei este blog. Continuo a acreditar que não tenho nada a dizer. Não tenho mesmo nada a dizer aos outros. Mas tenho muitas coisas a deitar fora. É tão fácil pegar na caneta e expandir a alma. E dá prazer rebuscar as palavras, sacudi-las, chocalhá-las, misturá-las até dizerem o que queremos, sem dizer demais. Porque a escrita directa não dá gozo e não limpa. E a escrita escondida perde o sentido e também não limpa. Dá prazer encontrar a forma exacta de dizer o que nos vai por dentro, como encaixar uma peça num puzzle. É indescritível a sensação de alívio proporcionada pelas ideias organizadas... mais organizadas... pronto, arejadas.
Ultimamente descubro-me a querer escrever, a buscar um pedaço de papel, nem que seja o talão do multibanco. A revolver a mala à procura do coto de um lápis, da caneta perdida. Nem tudo depois é passado para aqui. Há outros locais, outros mundos, outras formas de sentir. Há ideias que se mantém apenas nos papeis rabiscados. Há sentimentos que vão directos para o lixo, de onde vieram e de onde nunca deveriam ter saído.
Isto tudo para tentar transmitira a ideia do relaxamento que ganho quando deixo o espírito focar-se, equilibrando-se na ponta da esferográfica, enquanto traço linhas azuis secretas no papel, ilegíveis para os outros. É um movimento por vezes suave, que embala e relaxa, outras vezes brusco, nervoso, ao ritmo do coração, descarregando as preocupações, as ânsias e os gritos.
Depois há as alturas do lápis de carvão, em que não há esfera a deslizar mas sim o atrito do mineral sobre a folha, em tons de cinzento e sombra, numa escrita nublada e duvidosa que se apaga a cada passo.
A escrita movimenta-se ao ritmo da vida que muda, evolui, reinventa-se e destrói-se continuamente, fazendo lembrar os atractores estranhos, desenhando regularidades no caos.
Por tudo isto, e porque os dias são diferentes e eu também, hoje quero escrever.

domingo, março 09, 2008

Mudança

Ontem juntei-me a um mar de gente que lutava pela mudança. Mais do que contra as leis, as politicas, as condições, apetecia-me gritar por respeito, exigir respeito. Pela profissão, por mim, pelo meu trabalho e, acima de tudo, pelos alunos que acabam por ser os mais prejudicados pelas medidas incompetentes deste governo. Sei que não é fácil para quem está de fora perceber a gravidade da questão, mas ontem houve 80.000 (números da polícia) professores a gritarem-no. Não podem ser todos maus docentes. É preciso que nos ouçam.
Também foi engraçado conhecer pessoalmente alguém que leio há mais de 3 anos. Os blogues têm destas coisas, na verdade já nos conheciamos, foi só uma confirmação que existimos em carne e osso. És muito simpática Sofia!

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Ar

Uma vez disseram-me "És transparente, não és?" Não! Respondi chocada. Até acho que não é assim tão fácil lerem em mim, a não ser que me conheçam muito bem... Ou então não...
Hoje sinto-me assim, transparente, invisível. Não no sentido de revelar o que me vai dentro, mas no sentido de não me verem. Sinto que estar presente não faz diferença. Calar ou falar é igual. Eu sei, todos temos momento de não sirvo para nada, não me ligam nenhuma, não gostam de mim. E nem costumo ter esta vertente Calimero.
A culpa é de certeza da Primavera, que tarda em chegar.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Dias Não

Depois há dias assim, em que as nuvens se instalam no espírito em vez de o fazerem no céu, o ar se torna pesado e nos oprime e se torna impossível respirar. Dias turvos, lentos, em que se vê o dia a passar por detrás de uma cortina líquida que teima em tapar-nos a vista sem cair e libertar as mágoas. Dias em que temos a certeza que o amanhã vai ser melhor, só porque pior não parece possível. Dias sozinhos. Deve ser do tempo.

domingo, fevereiro 10, 2008

Champagne

Um ano depois tenho a testa cheia de borbulhas. Bom, cheia talvez não, mas mais do que uma. Tal como os caracóis, as borbulhas esticam-se e invadem-me o cérebro, num movimento borbulhante que lembra as borbulhas do champagne. E sinto-me mesmo como se fosse adolescente outra vez!

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Demónios




Modesto? Humilde? Acho que tenho o demónio de outra pessoa. Alguém viu o meu?

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Porquê?

8.10 da manhã. Entro na Escola num estado de alheamento total, os pensamentos toldados, a sensação de que nem cheguei a sair. Passaram menos de 10 horas desde que saí, com os nervos à flor da pele e o espírito esmagado pelas mágoas e pelas preocupações. A última reunião de ontem foi um pesadelo e o Futuro parece negro e pesado.
A pergunta que mais vezes me atravessa o espírito é "Mas que raios ando eu aqui a fazer?" Ontem lutei o dia todo. Geri papeis, pais, colegas, alunos, funcionários. Terminei o dia a analisar legislação nova, confusa, mal elaborada, incompetente, a impor prazos impossíveis para realizações dúbias. "Por que raios ando eu aqui?"
Toca para o primeiro bloco. 90 minutos com 21 pré-adolescentes que, ultimamente, não se calam um bocadinho. Começo a aula de semblante carregado e sem sorrir. Há que manter a disciplina. E, de repente, dá-se a magia. Em menos de 10 minutos largo o manual e traço esquemas mal-amanhados no quadro. Tenho 21 pares de olhos colados a mim, a beberem-me as palavras e há cerca de 10 braços no ar.
A atmosfera enche-se com a sede de saber e o entusiasmo de aprender estimula ainda mais o meu próprio entusiasmo de ensinar. Os 90 minutos passam a correr e saio da sala cansada mas com um sorriso nos lábios e um pensamento único: "Por isto! É por isto que vale a pena!"

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Dias

Há dias que se bebem, depressa e sofregamente, como se a vida dependesse da intensidade com que cada minuto é vivido.
Há dias que se vivem, calmamente e com suavidade, em que a vida desliza despreocupadamente nas voltas de ponteiros, numa dança sem principio nem fim.
Há dias que se arrastam interminavelmente, com os minutos a encherem-se de obstáculos, chatices, contrariedades e desgraças e em que chegar ao fim nos parece altamente improvável, quanto mais não seja pela quantidade inominável de horrores que se interpõe entre o momento actual e o regresso a casa. Hoje é um dia destes.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Palavras

Os sentimentos enchem-me o espírito de forma quase transbordante. As palavras sobrepõe-se e atropelam-se, saltam umas por cima das outras na pressa de querer sair. E saem convulsivamente, em soluços, sem nexo. São demais. Não se entendem, não me entendo. E acima de tudo não adiantam.
Abro de novo a boca para tentar e volta a acontecer o mesmo. Choro palavras em vez de lágrimas e não me faço entender. Fico a pensar se alguma vez terei sido entendida. Calo os soluços, afogo as palavras. Não vale a pena.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Onde está o Wally?

Ou, neste caso, a Elora?
Deixo-vos uma pista, aparece duas vezes nos primeiros 3 minutos de filme.

sexta-feira, janeiro 18, 2008

D. Sebastião

Olho pela janela da sala de aula, enquanto a turma traça triângulos, por entre risos e rodopios de compassos. O ambiente da sala é alegre, com a inquietude própria da idade e da proximidade do fim-de-semana. Faz calor.
Lá fora o frio concretiza-se num nevoeiro denso e branco que desce sobre os pátios desertos da escola. Aproxima-se e cola-se aos vidros sob a forma de gotinhas minúsculas que vão escorrendo, como se o Mundo chorasse.
Toca para a saída. Mando-os sair e abro a janela numa inspiração profunda. Deixo o nevoeiro inundar-me o corpo e adormecer-me a alma. O cheiro do rio preenche-me. Não quero pensar.

sexta-feira, janeiro 11, 2008

O Segredo da Felicidade

Não existe. Já aqui escrevi sobre saber ser Feliz e sobre a busca da Felicidade. Não é fácil ser feliz e é facílimo ser infeliz. Ser infeliz a dois ainda é mais fácil, uma vez que a probabilidade de, em determinado instante, um dos dois estar infeliz é o dobro da probabilidade estando sozinho. Se de cada vez que um estiver mal, ambos se afundarem a relação naufragará rapidamente.
O truque é aguentar os maus momentos do outro e relativizar as coisas. E quando os dois estão mal, onde vamos buscar as forças? Não há resposta, cada um vais buscar onde consegue. Eu vou buscar às recordações e aos pequenos nadas. Às recordações das viagens, das borgas, dos carinhos, do nascimento dos filhos, da compra da casa e daquele pôr do sol na praia em que fomos invadidos por um sentimento de felicidade absoluta (apesar de ela ser instantânea).
Eu sei que estes momentos são raros e espaçados no tempo, logo preciosos. Por isso mesmo por vezes parecem distantes e não chegam para afastar os dias de chuva.
Nessas alturas vou buscar forças aos pequenos nadas que, embora com menos impacto, são mais frequentes. Lembro-me das piadas trocadas, das gargalhadas em conjunto, dos momentos de telepatia em que basta um olhar para tudo fazer sentido. E acima de tudo lembro-me da cumplicidade, da aceitação e da partilha. Estas alturas são mais comuns e podem parecer irrelevantes quando os céus desabam, mas são o que me inspira quando tudo o mais falha e fazem-me acreditar que quando as nuvens partirem, o céu azul ficará e quando as trevas se abrirem...

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Não quero pensar

Há hipóteses que não podem, não devem ser colocadas, para bem da nossa sanidade mental. Há situações tão horríveis que deveriam ser proibidas. Não quero pensar, não posso pensar, não adianta pensar, quanto mais não seja porque não há nada que possa fazer. E, no entanto, os meus pensamentos escapam-se-me e deslizam sempre na mesma direcção. Odeio exames médicos!

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Nowhere Fast




Assim ando por estes dias...

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Do que não foi nem nunca será

Hoje, às compras na rua, senti o vento na cara e uma súbita vontade de te beijar. Daquelas vontades intensas que tenho às vezes. Começa com uma forte comichão nos lábios, espalha-se pela cara, desce num tremor à barriga e arrepia-me a pele do corpo todo. E sinto que tenho de te beijar imediatamente, um daqueles beijos fortes, colantes, que provocam trovoadas e nos fazem duvidar da tectónica de placas como explicação.
Mas depois o vento acalma e a vida segue, com milhentas preocupações a encherem-me os pensamentos, dúvidas, ânsias, decisões, risos e conversas, que retiram a urgência ao beijo e o afastam do meu corpo.
Quando por fim chegas a casa, cansado mas com os olhos quentes e risonhos, a pressa de partilhar o dia invade-nos e por entre as solicitações dos miúdos e o passeio do cão, o beijo esfuma-se, como se nunca tivesse tomado conta de mim. Haverá outros beijos e outros momentos, mas aquele perdeu-se para sempre, levado pelo vento que o sugeriu.
Quantos beijos teremos perdido já?

sábado, dezembro 15, 2007

Welcome

Not that you will make much of it, as it is all in portuguese, but then neither do the Portuguese readers or, most of the time, myself. Still it's part of me.

terça-feira, dezembro 11, 2007

Mas que raios anda ela a fazer????



Mais ou menos isto. Quem não sabe que eu sou maluca é porque não lê este blog há tempo suficiente e ainda vai a tempo de se salvar.

terça-feira, novembro 27, 2007

O Essencial III

Afinal há alturas em que me apanho em hipocrisias monstras. Full of bullshit. Detesto hipocrisia e tento ser sempre honesta. Pelo menos comigo, que raios! E depois apanho-me em mentiras ranhosas que perduram durante anos. É assim que, ao fim de anos e anos a borrifar-me na roupa, a não ligar ao que visto, a defender que o aspecto exterior não conta, me encontro a gastar horas infindáveis a escolher e a comprar roupa, a preparar toilletes e repensar acessórios e maquilhagem. Ajuda a roupa ser gira, de borla e servir-me. Ajudam os ditos quilos a menos que pus na boneca. E o facto de me dar gozo e expiar as frustrações.

Não ajuda o sentir-me fútil, oca e sebenta. Portanto, admito aqui perante o mundo: Eu, Elora, gosto de roupa. Assim ela seja barata, gira e "one size fits all". Sou também hipócrita nas horas vagas.

sábado, novembro 03, 2007

Todo o dinheiro do mundo


Cheguei recentemente à conclusão de que, se o dinheiro não fosse problema, eu optaria por ser bartender. É o que tenho feito, virtualmente. E tem sido fabuloso.

Aqui há uns dias comentei isto com uns amigos, enquanto pagava a conta no café onde costumamos almoçar. O empregado, que se encontrava a receber o dinheiro atrás do balcão, ficou todo eriçado com isto. "Não sabe o que é trabalhar 12 horas atrás de um balcão!" Dizia-me de uma forma enfática. De facto, se o dinheiro não fosse problema, trabalharia apenas 2 horas por dia. Parece que até para o que gosto sou preguiçosa.

sexta-feira, outubro 26, 2007

Não quero falar sobre isso...

... não sei se alguma vez quererei. Quando abro a boca saem enormidades. Dói demais.

sexta-feira, outubro 19, 2007

A Insustentável Leveza do Ser

Ok, o título está muito visto. Também é verdade que gostei do livro, mas não o acho nada de extraordinário. O facto é que é o título perfeito para o que sinto neste momento. Ando feliz, bem-disposta, alegre. Entro na escola com um sorriso na cara, as aulas correm-me às mil maravilhas e mesmo a parvoeira típica do início da adolescência de alguns dos meus alunos não consegue estragar os meus dias. Ando leve, mais leve do que alguma vez andei nos últimos 5 anos. Ajuda o curso do Jp ter acabado e ter com quem partilhar a educação dos miúdos. Ajuda os miúdos estarem saudáveis, autónomos e felizes. Ajuda não ter de ver televisão à noite e ter uma deliciosa companhia para as minhas aventuras.
Justificada que está a leveza do meu ser, resta justificar a insustentabilidade (raio de palavra grande). Ontem no super-mercado, comecei de repente a tremer imenso. Depois de analisar atentamente os tremeliques, perceber que não era fome, nervos ou excesso de café (ainda não tinha bebido nenhum), fui forçada a encarar a realidade. Tremia com falta de sono. 4 horas de sono por noite durante os último 15 dias tornam a situação insustentável. Terei, eventualmente, de dormir, mesmo que isso me torne mais pesada.

terça-feira, outubro 16, 2007

O Essencial II

A vida duplicou-se e prossigo num lento resvalar para fora da realidade. Ando bem e feliz, atenta a outros detalhes. Por vezes sou chamada à realidade quando menos espero, como hoje, ao regressar da escola, quando entrei no quarto. O meu quarto cheira a sono.

sexta-feira, outubro 12, 2007

Quem vê Caras

O fim-de-semana passado foi fantástico. Fui ao cinema, a um quizz, joguei um RPG com amigos, não parei. Segunda-feira à noite, ainda meio embalada, olho desconsolada para a Tv. Nada de jeito. Como sempre. Os miúdos estavam deitados, o Jp a ler e eu sem nada para fazer.

Achei que não me apetecia ficar em casa e fui fazer algo que andava a querer fazer há séculos: dar um pulo aqui. E achei piada, fui à praia, dancei, ouvi concertos, conversei, vi uma exposição de arte abstracta, o que quis. Bem melhor que ver a novela da noite, qualquer que fosse.

Comecei como toda a gente, a definir o meu bonequinho e a fazer os programas de instrução. Definir o bonequinho é fantástico, tudo é permitido. Podia, num abrir e fechar de olhos, perder todos os quilos extra, pintar o cabelo de louro e vestir Valentino. Que é basicamente o que toda a gente faz. Portanto temos um mundo em que todos são bonitos. Todos diferentes, todos bonitos.

Posta perante a opção de ser como quisesse, perdi todos os meus problemas de imagem. É demasiado fácil ser bonito. O desafio é não ser. E como os objectivos atrás descritos não incluem agradar a ninguém, decidi ser como sou. Ok, cortei uns quantos quilos, que não sou parva de todo, mas mantive tudo o resto: as rugas, o cabelo despenteado, os óculos, a roupa que calha, etc.

Fiquei sinceramente agradada com o resultado: não é bonito, mas sou eu:

Pensei que a recepção por parte dos outros habitantes fosse ser estranha, mas o facto é que isso não aconteceu. Tirando várias ofertas de roupa e de ajuda para dominar as técnicas, os habitantes foram, em geral, muito simpáticos. O que me leva a pensar que, na vida real, se todos fossemos belos seria dada mais importância ao essencial.

segunda-feira, outubro 01, 2007

Movimento Piaçaba

Andava a pensar nisto há uns tempos, mas o Ricardo Araújo Pereira antecipou-se. No entanto estou logo atrás. Sendo uma esfregona que correu mal, não quero deixar de me juntar ao movimento de apoio ao Piaçaba. Para que conste:


Eu digo Piaçaba!

Caso Mourinho




Pelo mestre. Se bem que há aqui coisas que acho que era capaz de fazer.

quarta-feira, setembro 26, 2007

O Essencial I

O essencial, para mim, não inclui móveis. Inclui beijos, abraços, carinho, piadas, conversas, livros, televisão, borgas e viagens. Também não inclui roupa. Portanto conseguem imaginar facilmente a situação cá em casa, com tudo nu a ver televisão e a falar muito depressa, tudo ao mesmo tempo, sentados em cima de livros e abraçados uns aos outros. Claro que a situação não é assim tão grave e mete alguma roupa e alguns móveis também. No início os móveis foram herdados, mas aos poucos, com a chegada das crianças, as avós foram-se rebelando. Como quem não quer a coisa iam oferecendo mobílias, cortinados, etc. Sempre diplomaticamente, sugerindo que se eu escolhesse pagavam. Assim foram mobilados e decorados os quartos e parte do resto da casa. Restava a sala, com os primeiros sofás que comprámos e que já viram muita coisa, não sendo muito confortáveis à partida.
A sala andava a meter-me impressão: era fria e pouco aconchegante. A mobília foi comprada para a nossa primeira casa, cuja sala tinha um terço do tamanho. Lembro-me da reacção de uma colega, quando foi pela primeira vez à minha casa: "pois, de facto móveis não tens..." E toca de me oferecer um quadro lindíssimo, pintado pelo marido. A verdade é que, por mais impressão que me fizesse ter uma sala apresentável não era essencial. Prioridades...
A verdade é que os meus próprios pais demoraram a vida inteira a decorar a casa. O meu pai sonhava com uns sofás de couro, caríssimos, que acabou por comprar já doente. Também sempre quis um casamento católico que acabou por ter sentado num dos ditos sofás.
Em Julho a minha mãe achou que eu devia ficar com os sofás, os ditos, os castanhos grandes. A minha primeira reacção foi recusar. Não foram escolhidos por mim, eram muito grandes e não combinavam nada com as cenas azuis da sala. Mas depois pensei que eram melhores que os meus velhotes. E mais confortáveis. E que os puffs podiam ser forrados...
Assim, no início do mês decidi-me. Com a ajuda da Pipoca pintei uma parede de laranja. Contactei uma empresa de mudança e pronto, lá vieram uns sofás castanhos e nada essenciais.
A sala ficou mais pequena, mais quente e aconchegante. Gosto. Mas o que gosto mais foi de ter descoberto uma porta na sala, que a liga directamente a uma casa num pinhal perto do mar, onde havia um pescador que contava histórias com riso nos olhos e por onde espreito sempre que entro na sala e sinto o cheiro forte do couro. O cheiro é, esse sim, essencial e portanto invisível para os olhos, já dizia a raposa.

domingo, setembro 23, 2007

Equinócio do Outono

Foi hoje, às 06h.52m. Eu estava a dormir e não dei por nada. O dia hoje já foi mais pequeno. O Sol dirige-se lentamente para o Periélio. Não que isto tenha particular importância, mas nunca tinha utilizado a palavra Periélio numa frase e o meu Avô esforçou-se imenso para que eu a aprendesse. Agora ponho uma musiquinha que meta o Sol e já fica o Equinócio comemorado.




Ok, não é nada de especial, mas tem a ver com a forma como me sinto esta noite.

quinta-feira, setembro 20, 2007

Primeira semana de aulas

Dói-me a voz. Quando era pequena achava que não podia acontecer, mas acontece. Não é grave, é só quando falo. E sei que daqui a uma ou duas semanas já passou, é só até renovar os calos das cordas vocais. Ossos do ofício. Às vezes os ditos ossos incluem dores de alma, que são bem piores, portanto hoje estou feliz por só me doer a voz.

sexta-feira, setembro 14, 2007

quinta-feira, setembro 13, 2007

Tudo


Parabéns!

terça-feira, setembro 11, 2007

Schmooze

Foi-me concedido isto:


Cabe-me fazer um discurso se agradecimento. Pensei começar assim:

"Quem me conhece sabe que sou de poucas falas..." Bom, podia, mas é mentira.

"Quem me conhece sabe que sei quando me devo calar..." Também não é inteiramente verdade...

Quem me conhece sabe que falo que me desunho. Quem não me conhece, como o Vítor, aparentemente adivinha que falo demais. Estou-lhe muito grata pelo feito divinatório e nomeio faladoras as seguintes pessoas:

Mamaíta e Escalla (por experiência própria);

Blueangel (via msn);

Vanadis e Nelson (a minha vez de adivinhar).

Posto isto estão cumpridas todas as regras, excepto o beijo pró Mike, que é para o piqueno controlar o desenrolar da parvoeira que inventou.

Setembro

Quando era miúda o mês de Agosto arrastava-se na Odiada Vilazinha, interminável. Frequentemente os dias amanheciam com um céu enevoado, cinzento e frio. "Lá pró meio-dia levanta!" Dizia o meu avô, com a sabedoria do mar na voz calma. E levantava, dando lugar a dias de calor intenso, em que saíamos da praia com o Sol a pôr-se e a pressa de quem está de férias e tem uma noite de Verão pela frente.
Assim têm amanhecido os dias deste mês de Setembro, cinzentos e a levantar pelo meio dia. E arrastam-se intermináveis, como se estivéssemos em Agosto e só houvesse aulas lá para Outubro. E eu vou-me arrastando com os dias, meio a dormir, como se ainda não fosse a sério. Acordarei quando Setembro acabar, como na canção.


terça-feira, agosto 28, 2007

Aborrecida






Andava eu por aqui, sem grande coisa para fazer e absolutamente nada para escrever, quando me deparo com esta cançoneta no Blog do Nuno. Veio mesmo a calhar, para dar voz ao sentimento, quando as palavras escasseiam.

sexta-feira, agosto 24, 2007

Scooter

You Are Scooter

Brainy and knowledgable, you are the perfect sidekick.
You're always willing to lend a helping hand.
In any big event or party, you're the one who keeps things going.
"15 seconds to showtime!"

quinta-feira, agosto 23, 2007

Imagem de férias II

Porque também deu para tirar fotos decentes.




A vista da varanda do quarto. A piscina era deliciosa.



A Sofia a fazer poses no quarto do hotel.


Aguadulce


Agua Amarga


A semana da praxe na Odiada Vilazinha.




Tudo junto deu para descansar e voltar ainda a cheirar a Verão.

quarta-feira, agosto 22, 2007

Imagem de férias I

Depois do incidente com a tinta do cabelo achei que tinha mesmo de melhorar a cena da auto-imagem. Até porque, de vez em quando, há que dar ouvidos ao psicólogo. Como estava de férias e sem grandes preocupações, diverti-me a tirar fotografias a mim própria, quando ninguém estava a ver (duvido que alguém consiga superar-me no que respeita a fazer figura de parva).

Estas preciosas fotografias, tiradas cuidadosamente por mim são, sem sombra de dúvida, auto-imagens. E estão uma desgraça. Depois de muito ponderar, decidi não apagar quatro. Dessas quatro, deixo-vos aqui os melhores pedaços. Talvez no próximo Verão dê para fazer melhor.

terça-feira, agosto 21, 2007

De volta

Quero agradecer a todos os que me escreveram e em especial a estes meninos:



As férias foram boas tirando um ou outro detalhe. E estou muito bem disposta, o que é sempre bom. Sem grande coisa para dizer, para não variar.

segunda-feira, julho 30, 2007

De férias com a DREL

Estava eu aqui, em terras espanholas, a relaxar numa de água do mar caliente, fabulosa piscina e deliciosa comida, quando recebo uma mensagem inquietante: os concursos foram antecipados para 1 a 7 de Agosto. "Regresso a 4." - pensei -"Ainda vou a tempo." Ora eu vim de férias equipada com pc mas sem ideias de aceder à Internet fora de Portugal. Daqui vou para o Algarve e lá pensava aceder à página da DREL e perceber, talvez, se concorro ou não. Portanto, trouxe pc e tralha de concursos, sem saber bem se vou utilizar. Ao cair da noite uma chamada, desta vez de uma colega absolutamente confusa. Disse-lhe que não sabia de nada e que dia 4 logo investigaria. Antes de sair para jantar outra mensagem, desta vez do sindicato a alertar para a antecipação dos concursos e a dizer-me para consultar a página da DREL. Convenceram-me. Acabei de jantar e perguntei pelo acesso à Internet mais próximo. Aqui estou, a gozar o resto do euro que paguei por uma hora de net, depois de ter descoberto que a página da net não informa de coisa nenhuma. Terei de gastar uns quantos euros em telefonemas, quando regressar, para tentar descobrir se concorro. No meio disto tudo penso: E se em vez de uma semana eu cá estivesse quinze dias? E se não tivesse trazido o telefone? E se estivesse no alto de uma montanha sem net? Se um professor não pode tirar férias em Agosto, quando é que pode? Ou só poderemos tirar férias com a ministra?

sexta-feira, julho 27, 2007

Parece que vamos

Bom Verão!

Dia sim, dia não

O dia começou muito bem. Um céu azul fantástico, sem uma nuvem, um ar de Verão indiscutível a prometer calor. A manhã desenrolou-se de forma fantástica, com notícias óptimas, acabei todas as minhas tarefas, fiz tudo o que queria, despedi-me do pessoal e ainda vendi a cópia extra do Harry Potter.
A seguir ao almoço as coisas começam a complicar-se, o tempo passa sem que nada aconteça, o calor aumenta e começa a abafar, as notícias que vão chegando são inquietantes, desagradáveis, incómodas. A Sofia ainda não chegou e não chega antes das 18.30h. A Internet vai e vem de forma intermitente. Há um telefonema que me arrepia toda e começo a questionar as minhas opções. Faltam 13 horas para a hora em que tínhamos marcado sair de casa e não sei se vou. As malas estão abertas em cima da cama, por acabar, os sapatos espalhados pelo chão, os pensamentos voam caóticos por todo o lado. Tenho medo. Tenho tanto medo.

Johnny

Para te animar.

Porque a família não é só aquela em que se nasce, mas também aquela que se escolhe.

quarta-feira, julho 25, 2007

Anne of Green Gables

Afinal não houve crise. Não ficou roxo.











Talvez mais ruivo que o habitual. Mas o psicólogo já foi ouvido a dizer que gostava de me ver ruiva, portanto correu bem. Ainda não estou muito confortável com a história da coloração permanente, mas nada a fazer.

terça-feira, julho 24, 2007

Imagem

Parece impossível como por vezes uma cadeia de acontecimentos trágicos pode ser desencadeada com uma frase tão simples como:


"Enviei-te um mail para o naoqueroescrever@gmail.com".


Até agora nada de anormal. Vou ver. O texto diz: "Eu sei que não querias, mas acho que a foto apanhou bem o momento!". Olho horrorizada para a foto que acompanha o texto. Shit! É o pensamento que de imediato me invade o cérebro e que passo a transmitir à minha interlocutora via MSN.


Abro a foto. Não quero acreditar. "Andas com problemas de auto-imagem" tem-me dito o psicólogo cá de casa. Não fui eu que tirei a foto. É uma hetero-imagem. Também ando com problemas de hetero-imagem. Graves. Olho melhor. O cabelo está esquisito, não se vêem os caracóis, mas está com uma cor estranha. Está desbotado.



Deve ser de o pintar, de vez em quando, com aqueles produtos que vão saindo. Parece que sempre vai ficando alguma coisa. Ou então é do Sol. Vou até à casa-de-banho. Tenho um desses produtos debaixo do lavatório há quase três meses. Comprei-o, mas não me tem apetecido usá-lo. Foi uma compra impulsiva, noutra dessas crises de auto-imagem. Ou nesta, na volta é uma crise longa. A caixa é verde, acho que nunca usei esta marca. Acabo por comprar sempre a mesma cor, um castanho igual ao meu, mas com uns reflexos avermelhados. Vou preparando o produto e reparo que a cor do creme é diferente do habitual. Branco sujo. Costuma ser mais escura, beje e depois vai escurecendo até ficar laranja muito escuro. Agito o frasco.
Olho-me ao espelho. Não gosto da imagem. Começo a aplicar o creme, que vai escurecendo. Parece estar a ficar rosa. Gosto desta cor, faz lembrar gelado de morango. Não é bem rosa, é mais lilás, como as senhoras de idade costumavam por no cabelo quando eu era pequena. Continua a escurecer. Purple é a palavra que me vem à mente. Penso na palavra portuguesa para esta cor. Beringela. Como o cabelo da minha colega C.. Reparei ontem que o pintou de Beringela. Lembro-me de ter pensado claramente: "Aí está uma cor com que nunca pintaria o cabelo..." Paro de pintar. Nunca. Um enorme fatalismo abate-se sobre mim.
Procuro frenética o nome da cor: "Acajou avermelhado." Que raios quer isto dizer? Costumo comprar pela cor da foto, não pelo nome. Não há-de ser nada. Olho-me ao espelho. Roxo é agora a cor. É só lavar muito. Normalmente sai em 8 a 10 lavagens. Procuro na caixa o número exacto. Não encontro. Diz apenas "coloração permanente". Sinto um calafrio. Resta-me esperar meia hora. É o que faço enquanto escrevo isto.
Penso na cara do psicólogo quando chegar a casa. "Andas com problemas de auto-imagem." Isso e caracóis roxos.

segunda-feira, julho 23, 2007

Aguadulce

Sábado de manhã, pela fresquinha.


Estranho, estranho

É quando temos mais vontade de comentar do que de escrever.

sexta-feira, julho 20, 2007

Harry

Hoje. Sem saber muito bem porquê, uma vez que não o vou conseguir ler antes de terça.

quinta-feira, julho 19, 2007

Caracóis na cabeça

O meu cabelo nunca foi exactamente liso. Era o chamado cabelo com jeitos. Mas não tinha caracóis. Nunca teve caracóis. O ano passado começou a ficar progressivamente mais despenteado. Era horrível, por mais voltas que desse à escova, não havia forma de organizar o cabelo. No final de Janeiro fui cortá-lo, já desesperada. De ordem à cabeleireira para cortar bastante, para ver se eu depois o conseguia arrumar sozinha. No final do dia o cabelo, já cortado, começa a encolher e no dia seguinte acordo cheia de caracóis. Caracóis mesmo, ondinhas, reviravoltas e, em alguns sítios mais longos, verdadeiros canudos.




Não me importei, não fiquei chateada, nem particularmente feliz. Fiquei surpreendida. Afinal nem sequer conheço o meu próprio cabelo. E assim se tem mantido, com caracóis, a crescer sem descer. Ultimamente, no entanto, tenho andado a sentir-me estranha, mais lenta do que o habitual. Ao principio pensei que fosse o excesso de trabalho: 10 horas por dia de reuniões esgotantes, burocracia a acumular-se, falta de sono e saudades dos miúdos não pode ser saudável. Mas esta manhã olhei-me ao espelho e descobri a resposta, bem no fundo dos meus olhos. Os caracóis entraram-me na cabeça. Tenho o cérebro a encaracolar. Preciso de férias!

domingo, julho 15, 2007

Ser Invejosa

Nestas lides blogueiras fui recentemente posta perante uma definição de diccionário da palavra Inveja. Ora eu, que me tenho por relativamente esperta, já há uns tempos que tinha percebido que nem toda a gente partilhava o meu conceito de inveja. A verdade é que quando aprendemos a falar não o fazemos com um diccionário atrás e o significado que damos aos termos depende do contexto em que são usados, do que nos explicam e das nossas próprias experiências. Acontece que eu sou uma optimista nata e tenho a mania de julgar o melhor das pessoas. Ainda hoje a ideia de desejar mal a alguém é, para mim, inconcebível.
Sempre usei a palavra inveja como sinónimo de querer algo que outro tem. Não com raiva ou cobiça. Muitas vezes até como sinónimo de alegria pela felicidade dos outros, a pensar "Que bom! Também quero". Um exemplo disso aconteceu aqui, aqui e aqui. Quero um bebé mas não fiquei nada triste pelas minhas amigas estarem grávidas, antes pelo contrário. Queria ter estado grávida com elas, para podermos curtir o estado juntas. Não pode ser, mas curti na mesma, adoro ser tia.
Por outro lado não sou muito dada a superstições e embora já tenha percebido que há muita gente com medo da palavra inveja, continuei a usá-la porque não tinha outra. Agora percebi que o uso indiscriminado da referida palavra pode levar a sentimentos de desconfiança e medo. Portanto resolvi parar de a usar, sendo que agora a minha dúvida é: que palavra uso para este sentimento? O que é digo para dar vazão a este sentimento de "Estou feliz por ti, quero o mesmo"?

sexta-feira, julho 13, 2007

I Got the Blues II

Horóscopo para hoje

Take the long way home. In fact, just give home a miss today. • Sure, you're tough. Yikes! • Baked goods are in abundance. • There's no one else like you, thank God.

Calimero

C'est vraiment trop injuste.

terça-feira, julho 10, 2007

segunda-feira, julho 09, 2007

Elora Allmighty

I Know Everything. E se toda a gente fizesse o que eu digo tudo correria melhor. E seríamos todos mais felizes. E também acredito no Pai Natal!

domingo, julho 08, 2007

Artes e Artistas

Conversa estranha (estilo Bagaço):
Eu - Ainda bem que te encontro. Tenho uma cena para te cravar, mas é um pincel muita grande...
Ela (muito séria) - Isso vai ser difícil, cá no departamento só temos pincéis pequenos.
Eu - Não, não é um pincel que eu quero, a tarefa é que é um pincel. Temos estas plantas em folhas muito grandes e temos que reduzi-las para tamanho A4 ou algo assim do género.
Ela - Ah! Nesse caso fala com a E. e o J., que eles têm mais jeito para isso do que eu.
Eu - Ok. Só te pedi a ti porque me disseram que a tua área é arquitectura.
Ela - Mas não é para pintar os vasos das plantas? Eles são melhores nisso do que eu. Não era para isso que querias o pincel?
Eu - ...

Silêncio

A casa está deserta. Foi um filho para cada avó. É bom para eles e para elas. Permite-lhes ter praia enquanto os pais trabalham e estreitar laços. Permite-lhes contactar realidades diferentes. A nós, permite-nos ter espaço para a relação e sossego.
E agora o que é que eu faço com tanto silêncio e com buracos dentro de mim?

sexta-feira, julho 06, 2007

O Príncipe e o Sapo

A nossa infância está repleta de histórias em que se beijam sapos e estes se transformam em príncipes. Em lado nenhum nos dizem o que fazer se, ao beijarmos o Príncipe, ele se transformar num sapo. Daqueles verdes, grandes e asquerosos.

quinta-feira, julho 05, 2007

Prémios

Recebi esta semana dois prémios fantásticos:





Oferecido por esta menina.

E este:








Oferecido por esta menina.


A ambas agradeço a honra, que considero não merecer e peço desculpa por não passar adiante, mas uma e outra já contemplaram as pessoas em quem eu pensei e para além disso ando cheia de trabalho. Obrigada na mesma!

segunda-feira, julho 02, 2007

Cate II

Hoje queria ser a Cate. Outra vez. Tem a ver com querer ser furacão.




Mais nada.

domingo, julho 01, 2007

Os desastres de Sofia

Os dentes incisivos superiores estavam a abanar ligeiramente. Nada de especial, ainda iam demorar tempo a cair. Depois veio a amiga S., que lhe deu com um livros pesado na boca e o incisivo direito ficou a abanar muito. "Viste com a S. é minha amiga, mãe? Já está quase a cair!"
Ontem ficaram em casa da avó, à tarde, enquanto eu e o pai comprávamos um presente. No fim da tarde chega o telefonema, na primeira pessoa: "Tropecei e caíram-me os dois dentes, mãe. Agora vou levá-los para casa para a fada dos dentes vir buscar."
Não me disse que saiu de casa da avó sem autorização. Não me disse que rebolou monte abaixo. Não me disse que levava vestida uma camisa da avó que lhe dava pelos pés. Não me disse que arranhou o nariz e o braço e os joelhos. Há que focar apenas o que importa: dois dentes, duas moedas.

sábado, junho 30, 2007

Alfinete no Deserto

Alfinete tem de atravessar um deserto. Não foi uma escolha dela, ninguém escolheria atravessar um deserto. Não foi sequer um risco calculado, Alfinete nunca se arrica, conduz sempre dentro da sua mão e cumprindo todas as regras, foi o chamado "azar do caraças". Alfinete esteve no sítio errado, à hora errada, com as pessoas erradas e nem sequer sabe quando é que isso aconteceu. E agora tem o raio do deserto para atravessar. A raiva por vezes cresce dentro dela e parece querer suplantar o desespero. É tão injusto ser com ela, tão injusto ter de o fazer!
E depois é desconfortável, o calor aperta de vez em quando, há que beber muita água, há que medir cada passo, há que seguir o mapa de perto. Mas o pior é a seca. Descomunal seca. E a prisão, os limites. A única coisa que torna tudo suportável é que o deserto tem fim, há vida para lá do deserto e há amigos também, que estão com ela. Sempre!

sexta-feira, junho 29, 2007

O Pc e o Pai

Desde 1993 que tenho computador. Não o mesmo, mas um computador. Normalmente eu e o Jp conseguimos dividi-lo sem grandes crises: eu uso durante o dia, o Jp usa à noite. Aqui há uns dois anos, graças a um IRS mais gorducho decidimos comprar um portátil. Veio mesmo na hora H. Com o curso do Jp e as minhas reuniões, tem dado imenso jeito ter dois computadores em casa.
Anteontem o Pc decidiu emitir cheiro. Um cheiro suave que começou baixinho, como quem não quer a coisa, mas que em breve se afirmou como um cheiro intenso a queimado. Tendo em consideração que, já há um ano, que o dito objecto descansava no escritório, de entranhas abertas e ventoinha apontada nos dias de calor, decidimos que o cheiro era a gota que enchia o copo. Lá foi o Pc para a oficina. Ontem à noite havia apenas um pc em casa. Eu tinha actas e "coisas" para tratar, o Jp tinha um jogo para jogar, o João tinha que falar com um amigo e ainda havia que decidir o sítio das férias.
No meio do desconforto que se gerou e com a Sofia a reclamar que queria ir ao mini-click, espantei-me com o facto do Pc fazer tanta falta e voltei-me para o Jp: "Nem acredito que somos uma família de dois computadores..." Ao que ele me responde a rir: "O que ainda não percebeste é que somos uma família de quatro computadores!"
Hoje a campainha toca por voltas das seis e meia e os miúdos correm para a porta a gritar, como sempre, "É o Pai, é o Pai!" O João, que já está cansado de ouvir que tem de espreitar antes de abrir, espreita pelo óculo e diz, feliz: "Melhor do que isso, é o Pai com o Computador!"

quinta-feira, junho 28, 2007

quarta-feira, junho 27, 2007

Logo

Meme dos livros

Porque ainda ninguém me tinha feito isto, porque gosto da Sandra e porque hoje parece ter acabado uma fase complicada da minha vida e por isso estou bem disposta, cá vai:
O livro que tenho, neste momento, mais próximo do Pc é o "Dicionário da Língua Portuguesa", Editado em 1956 pela Livraria Simões Lopes. É a "1ª edição em perfeita harmonia com o acordo ortográfico luso-brasileiro de 1945" e tem dentro o nome do meu avô, manuscrito, com a data 15-5-57 por baixo. Está numa prateleira com outros dicionários e alguns livros de didáctica.
A página 161, que vai de artístico a arvéloa, tem como quinta entrada o seguinte:
Artocarpo (GR ártos, pão + karpós, fruto), s.m Género de plantas urticáceas; fruto da árvore-do-pão.
Uma vez que começa com maiúscula e que termina em ponto final, vou considerar esta entrada uma frase completa. O que é que isto diz sobre mim? Que adorava o meu avô e herdei a sua biblioteca e que guardo os dicionários no escritório, mesmo ao lado do pc.
Escolhi a prateleira que está à altura do peito. Se fosse a prateleira de cima teria cds, na de baixo o livro seria o "Leão, a bruxa e o guarda-fatos", que o João se esqueceu de levar para o quarto dele.
As regras do Meme são:
  1. Pegar no livro mais próximo
  2. Abri-lo na página 161
  3. Procurar a 5.ª frase completa
  4. Colocar a frase no blogue
  5. Não vale procurar o melhor livro que têm, usem o mais próximo
  6. Passar o desafio a cinco pessoas

Quero saber o que guardam perto do pc :

Angel

Anna

Mamaíta

Geeky Wife

Vítor

Tarefa cumprida.

segunda-feira, junho 25, 2007

Quase

Oiço a chave na porta às 5 horas. É cedo, demasiado cedo. Entras com um ar alucinado. Transpirado, de olhar vago, respiração acelerada. Pergunto-te se está tudo bem. Olhas-me como se me estivesses a ver pela primeira vez e respondes que sim. "Estou cansado, muito cansado..." Vais para o quarto e deitas-te. Pouso a mala com que me preparava para sair e preparo-te um vermute bem fresco que te levo ao quarto. Dizes-me que te levantas quando eu voltar.
Regresso a casa uma hora depois e já estás ao computador a trabalhar. Os teus dedos dançam no teclado de forma hesitante, sem certezas, quase penosamente. De vez em quando chamas-me, para clarificar palavras. Continuas com o olhar perdido. Faltam dois dias.

domingo, junho 24, 2007

Bom dia

Foi um dia fabuloso, daqueles em que desde que acordamos nos sentimos bem, como se o destino conspirasse para que os acontecimentos se encaixassem num dia perfeito.
Nada de grandes coisas, muitas daquelas pequeninas que nos deixam um calorzinho cá dentro.
Comecei por acordar só ao meio-dia, porque a minha linda mana mais velha tomou conta das minhas crias e deixou-me dormir até tarde. (obrigada!) Depois, o Jp levou as criancinhas a almoçar na avó, o que me permitiu ficar em casa a molengar enquanto me arranjava e almoçava num ritmo extra-lento. Nessa altura uma das minhas amigas telefona-me e explica-me como posso transformar o campismo programado para este Verão, num fabuloso quarto de Hotel com refeições incluídas, gastando o mesmo.
Feliz da vida, saio de casa para ir comprar uns óculos para a Sofia. Vamos calmamente, só as duas, a conversar pelo caminho. Encontramos os óculos perfeitos, de que ambas gostámos, baratíssimos. Vamos procurar calças para mim, e há! Giras, com um preço simpático e a servirem-me! Nesta altura já só me apetece cantar. Vamos comer um gelado e a Sofia sugere a esplanada, onde nunca há mesa. Encontramos várias mesas vazias e comemos os gelados a ver o rio e a sentir a brisa suave do entardecer. Antes de voltarmos ainda vemos uma dança de sevilhanas que nos deixa um ritmo vivo no andar. Pegámos no carro e voltámos a cantar juntas as canções da rádio.
Há dias assim.

Brasileira

Ontem paguei 8 euros por duas queijadas de limão e dois leites com chocolate quentes. Puxado, mas estava-se bem na Brasileira, às duas da manhã, enquanto os empregados arrumavam mesas e varriam o chão. Estava-se bem porque o leite aquecia o corpo e a conversa aquecia a alma. E apesar do cansaço e do sono que não nos largava custou despedir.

sábado, junho 23, 2007

Esta Noite


Vou ver o Bruninho com a minha Dragon Slayer preferida.


quinta-feira, junho 21, 2007

Solstício

É hoje. Quero uma fogueira para saltar!

quarta-feira, junho 20, 2007

Tortura

Ontem estive hora e meia numa sala, sem poder falar, ler, escrever ou usar o telemóvel, na companhia de um colega que parecia ter saído directamente de um anúncio da gillette, daqueles de fazer parar uma casa cheia de mulheres. Portanto havia que ficar por ali, uma vez que sair da sala era expressamente proibido, e olhar em volta, para a chuva que caía lá fora, para o tecto, para as calças de ganga... para a chuva, para o tecto...
Ok, de vez em quando lá me lembrava dos treze adolescentes que por ali faziam exame de Língua Portuguesa e que havia que vigiar. Mas convenhamos, quem é que consegue vigiar o que quer que seja em condições tão adversas?

segunda-feira, junho 18, 2007

Sentido

Tenho notado que os meus alunos assumem uma postura mais rígida de cada vez que me vêem. Param de correr, endireitam as costas, ficam mais sérios. Hoje o porteiro da escola fez-me continência. Acho que ando demasiado tensa.

sexta-feira, junho 15, 2007

A saia da Carolina...

...é a mais bonita do mundo. Pelo menos aos olhos da Sofia. Tudo da Carolina é mais bonito. Menos a mãe da Carolina que nunca as deixa brincar juntas. Acabou de vir recambiada lá de casa, lavada em lágrimas, mais uma vez. Todos os dias a mesma pergunta: "Posso bater à porta da Carolina?" Tento distraí-la, fazê-la pensar noutra coisa. Há dias em que consigo e outros em que teima em ir lá. Para vir enxotada, como sempre. Como é que posso explicar-lhe que a carolina é linda, mas a mãe é má?

quinta-feira, junho 14, 2007

Lamechas

Isto.





Mas não me sai da cabeça depois da conversa de ontem.

segunda-feira, junho 11, 2007

Volta

Se tu não voltasses os dias eram como hoje. Nem bons nem maus. Normais, iguais aos outros, mas com uma comichãozinha estranha. Aquela impressão de que há algo que nos escapa. No fim do dia lembrei-me: hoje não falei contigo. Não que tenha algo para te dizer, não tenho, foi um dia igual aos outros. Mas ontem também não falei contigo. E anteontem foi apenas aquela chamada rápida a dizer que ias passar a fronteira. Não há grande coisa a contar, o fim-de-semana foi banal e o dia de hoje também. Mas já olhei umas quantas vezes para o telefone. Parece que afinal as nossas conversas de chacha fazem falta.
Se tu ficasses aí os dias eram como hoje, com uma comichãozinha atrás do coração, a juntar à alergia que todos os dias me arranha a alma.

Sondagem Pipoca




Como prometido aqui ficam os resultados:








Fica, desta forma, demonstrado que a Pipoca não tinha razão e que o Jess é o mais giro. Já entregámos a taça ao vencedor, como se pode comprovar na imagem seguinte, mas ainda não conseguimos que ele cortasse o cabelo.




sábado, junho 09, 2007

sexta-feira, junho 08, 2007

Rímel e totós

Fui a um baile esta semana. Um baile lindíssimo, de sonho. Pelo menos acho que já sonhei com um baile assim, uma vez, há muitos anos.
Os meus filhos ficaram entusiasmados com a ideia e também quiseram ir. Expliquei-lhes que não, que não poderiam ir sem serem convidados e que não me cabia a mim convidar.
A Sofia pediu para ver enquanto eu me arranjava e foi fazendo comentários: "Que vestido espectacular! Só lhe faltam brilhantes. Que maquilagem vais pôr, mãe? Posso ajudar-te? Sei fazer maquilagem de borboleta e de princesa, mas se calhar não interessa para o baile. Como é que são pinturas de baile? Vais pintar os olhos? Devias pôr baton vermelho. E pintar as unhas de vermelho ou cor-de-rosa. O Y. tem pinturas fabulosas, não é por ser brasileiro, mas as pinturas dele são fabulosas, têm brilhantes, menos as amarelas, que amarelo nos olhos não fica muito bem (respirou). Queres levar uns sapatos brancos? Porque é que não levas os teus sapatos de novia?"
A quem é que ela sai assim? Terei pedalada?
O João ficou triste: " Nunca irei a um baile a não ser que seja para a minha turma. Nunca ninguém me vai convidar porque eu sou totó, só me faltam os óculos e a roupa..."
Saio em defesa da minha cria: "Totó, João? Onde é que foste buscar essa ideia? Quem é que disse que eras totó?"
Resposta na ponta da língua: "Eu sei ver, mãe. Repara: gosto de ciência, sou fraquinho a educação física e não gosto daquilo que gostam os meninos da minha idade. Sou totó."
Sei tão bem a quem ele sai. Vimos este filme tão de perto, eu e o Jp.
Antes de sair de casa sinto-me uma Cinderela: por mais que procure não encontro o sapatinho. Ok, sapatinho é maneira de dizer, não encontro o raio da sandália. A alternativa não é o sapato de novia, mas tem quase 10 cm de altura. Ainda consegui dançar duas músicas, mas o síndrome de Cinderela perseguiu-me e à meia noite saí do baile em total agonia e desesperada por desmontar das andas.

terça-feira, junho 05, 2007

Dormir até tarde

Cá em casa todos acordamos muito cedo de Segunda a Sexta-feira. Os adultos acordam às 6.30 da manhã e as crianças entre as 7.00 e as 7.15. Até sairmos todos de casa às 8.05 reina a confusão. Entre as resmunguices típicas da manhã, a preguiça de quem ainda tem sono, os constantes apelos ao desembaraço, as coisas de última hora e a pressa, o alvoroço é grande. Todos falam ao mesmo tempo, há correrias, gritos para o outro lado da casa, apitos de electrodomésticos e implicações fraternas constantes.
No meio de toda esta barafunda, mesmo no meio (no hall, que dá acesso a toda a casa) um ente dorme descansado, como se rodeado do mais profundo silêncio. E é assim que, todas as manhãs, somos taxativamente ignorados pela Lária, a cadela da casa, que dorme mais uma hora, alheia a tudo e a todos, enquanto aguarda que chegue a pessoa que realmente importa. Porque afinal, a D. Lurdes, que é quem a leva à rua de manhã, só entra às 8.00.
Cumprimentar os donos? Para quê? Estamos, portanto, abaixo de cão.

sábado, junho 02, 2007

Post pedido pela Pipoca


Para que a minha linda não fique triste, aqui fica o post que me pediu. Quem é o mais giro?


Jess


Dean

Votem na sondagem do lado até 10 de Junho.

Coito Interrompido

Ontem fui ao cinema ver cenas chocantes:
À meia noite, arrastei a minha Mestre A. para um Quarteto vazio e envelhecido. O filme começou com 15 minutos de atraso. Descemos umas escadas escuras e entrámos numa sala forrada de vermelho e absolutamente vazia. Depois de nós entraram dois casais, um mais heterogéneo que o outro e sentaram-se atrás de nós. O filme começou sem que as luzes se apagassem. O homem atrás de nós levantou-se e saiu da sala para chamar alguém. As luzes apagam-se e a coisa compõe-se.
O filme, longe de escaldante, parecia prometer. Histórias interessantes e boas gargalhadas. De repente as luzes acendem-se. Aparentemente o Quarteto ainda faz Intervalo. O casal menos heterogéneo já não estava na sala.
Depois de uma visita à casa de banho, o filme recomeça. Agora menos interessante. As histórias já começadas não se desenvolvem e começam novas histórias. Histórias simpáticas, mas queria ver como prosseguiam as outras. Voltam a dar atenção à história do casal idoso. Parece prestes a ter algum tipo de desenlace. De repente surgem os créditos. Nem queria acreditar. A história não acabou! Nenhuma das histórias acabou! O raio do filme NÃO TEM FINAL!!!
A sensação de frustração ainda perdura, passadas mais de 12 horas. Ontem vi um filme fantástico, tristemente interrompido vá-se lá saber porquê. Cenas de natureza surreal.

sexta-feira, junho 01, 2007

Ego

Enquanto construo o projecto que me vai manter mentalmente sã nos próximos meses vagueio pela net. Descubro gente cheia de palavras lindas que me enchem de vergonha do modo como tenho tratado o meu blog. E de vontade de escrever mais e melhor. E de certeza de que não tenho mesmo nada para dizer.
A verdade é que, quando está tudo bem, não há nada de interessante para contar. Quando está tudo mal, não me apetece falar disso.
E é como eu quiser porque, apesar da vergonha, da vontade e da certeza, continuo a escrever para mim, ou não fosse este um blog egocêntrico.