segunda-feira, maio 15, 2006

Redoma

Desde que eles nascem que temos esta necessidade básica de os proteger. Não há pior pensamento do que a ideia que algo lhes pode acontecer.
Há onze anos e meio tive o privilégio de assistir ao nascimento de uma menina linda, que passou directamente das mãos da equipa médica para os meus braços e me inundou o coração. Lembro-me de como aquele corpinho se encaixava tão bem em mim e de pensar como 3.920 kg podiam pesar tanto. Depois percebi que era o peso da emoção, quando, 6 anos mais tarde, a minha filha também nasceu com o mesmo peso. Na altura, não achava possível amar mais uma criança, sentir mais do que aquilo que eu sentia pela minha primeira sobrinha.
Voltei a pensar que não era possível amar mais este Sábado, quando a bicicleta em que a minha Pipoca andava foi atropelada por um carro. Cheguei a dizer à enfermeira que também era mãe dela: "sou a mãe gorda, a outra é a mãe magra."
A minha Pipoca vai ficar bem, nenhum dos danos é permanente. Daqui a uns meses os ossos vão-se fundir, daqui a umas semanas os inchaços, os hematomas e as luxações vão desaparecer, daqui a uns dias o olho vai voltar a abrir e tudo vai passar. Só vai ficar para sempre esta sensação de que foi por muito, muito pouco e de que nunca a vou conseguir proteger o suficiente.

6 comentários:

titia disse...

Por muito que façamos...nunca podemos dizer que estão a salvo e seguros...acho que o que nos resta é acreditar no destino...e pensar que pela lei da vida como nascemos primeiro..também partimos primeiro....

Vodka e Valium 10 disse...

Embora não seja pai, sei perfeitamente o que isso quer dizer, por outras andanças. A questão é percebermos que não os vamos proteger mesmo e saber como viver com isso sem grandes preocuopações. Qb.

Mamaíta disse...

Tudo isto me fez pensar nos meus sentimentos da semana passada, em que o H. correu para a estrsda no momento em que vinha a passar um carro, o grito que eu mandei foi o suficiente para o carro parar, mesmo nao tendo visto o pequeno. Mas o susto que apanhei foi enorme, nao imagino o que teria sido se tivesse acontecido alguma coisa...
Por isso mando-te muitos beijinhos para ti e para a tua irma. E muita forca para a tua Pipoca. Pois o pior já passou...

ChiCa disse...

aiiiii... fiquei com o coração apertadinho!
Beijinhos de melhoras para as duas!

Anna disse...

Também eu fiquei a tremer, mas tudo há-de passar e a Pipinha vai ficar linda e boa como sempre, força para todas especialmente para a mãe que deve estar desolada.

BlueAngel disse...

Espero que a tua Pipoca esteja a recuperar em grande forma! Msmo não sendo mão, consigo perceber o que dizes em relação a proteger as crianças que amamos. Mas eles também têm de ganhar assas e tomar as decisões deles um dia... Por agora, beijocas para as duas: mãe e filha.