quarta-feira, maio 07, 2008

Ranho

Olho para a folha de papel em branco e penso em como deitar cá para fora tudo o que tenho sufocado em mim.
Procuro as palavras que se revolvem cá dentro, imagino-as como a nuvem de probabilidades que descreve as posições de um electrão, como aprendi na Escola. Imagino-as como moléculas de água excitadas pelo aumento da temperatura, a movimentarem-se loucamente, a embater contra as paredes do recipiente que as contém, ansiosas por entrar em ebulição e passar ao estado seguinte, ansiosa por se livrarem do estado líquido que as prende e espalharem-se pelo espaço, desordenadamente, livres das pontes de hidrogénio que as unem.
Abro a boca e imagino as palavras a saírem como vapor de água, levando com elas os sentimento que se elevam e expandem. Expiro profundamente, tentando esvaziar os pulmões e a alma ao mesmo tempo. Inspiro e dou por mim a fungar. É Primavera. Tenho o nariz cheio de muco e o espírito repleto de sentimentos ranhosos que me prendem as palavras.
Já viram a quantidade de comparações pseudo-cientificas a que eram poupados se eu tivesse optado por uma formação em letras?

7 comentários:

Sonya disse...

Realmente, alguém formado em letras teria dito tudo isso de uma forma bem mais poética..ou tinha-se limitado a dizer: "maldita alergia!" :p
jinhossssss

humana estupida disse...

já, por acaso reparei nisso logo na primeira linha e depois na outra e na outra...

Elora disse...

Sonya: Beijinhos

Humana: Olha que perspicaz!

Anónimo disse...

Na vida tal como na física existe uma força chamada atrito que faz com que nem sempre as "coisas" nem sempre fluam da maneira que gostariamos, mas há sempre a hipótese de aplicármos uma força, nem que seja só para contrariar o atrito...

...basta procurar ;)

BlueAngel disse...

Eu acho o máximo tu não teres optado por uma formação em letras. Porquê? Porque assim até eu acho graça às ciências. :-) beijocas larocas com amizade

Fokas disse...

Opá...é apenas água e clorato de sódio!

Ofland disse...

Para mim, a comparações pseudo-científicas odem não soar a Poesia, mas a Prosa da boa, isso já soam!

Até me vêm as gotículas aquosas repletas de sais solúveis, na sua maior parte Cloreto de Sódio, aos olhos!

(cloreto, Fokas, cloreto!) :-)