sábado, novembro 19, 2005

Sexta-feira

Deveria ter sido um excelente dia. Com a greve programada, estava prontinha para ter um dia descontraído e até pensei ir à manifestação. Mas o destino conspirava contra mim.
Começou logo de manhã, com o boato de que a televisão ia à escola. Como boa delegada sindical, eu teria que estar lá, toca de correr para o cabeleireiro, para ter um aspecto menos horripilante do que aquilo que é costume. Correr para a cidade do lado para ir buscar uma colega que também fazia greve e correr para a escola da Sofia, para que ela chegasse a horas.
Depois fui para a escola, descobrir que havia 5 pessoas que se tinham baldado à greve. 4 dessas pessoas, colegas no topo da carreira, a quem, se calhar, não faria tanta diferença a quebra no rendimento e que já estão a sentir na pele as medidas da ministra. Masoquistas.
A televisão não apareceu e lá sigo eu para a nova nutricionista, de novo para a cidade do lado. Ao chegar à referida cidade, o meu carro (novinho) apitou de repente, acendeu ume luzinha no tabelier e assinalou anomalia Anti-poluição no computador de bordo.
Segui-se uma tarde de caos completo, com o meu carro a ficar de molho numa oficina com "problemas" na bomba de injecção, os meus filhotes a faltarem à natação e eu a faltar à manifestação.
Acabei por ir buscar a Sofia à escola no táxi que era suposto levar-me à empresa de aluguer de carros, que ficava, como é óbvio, no Aeroporto. Portanto eu, a minha mãe e a Sofia acabámos por enfrentar a 2ª Circular, numa sexta-feira chuvosa, às 17.30 da tarde, juntamente com um taxista açoreano que opinava entusiasticamente sobre futebol e corrupção. "Não pode haver pior!" pensei eu, enquanto via o tempo a escorregar por entre as filas de carros. Mais uma vez o destino conspirava contra mim.
A Sofia, que saiu da escola a palrar sobre o que ia fazer na natação, calou-se, de repente, quando lhe disse que não ia haver natação e fez todo o caminho calada e imóvel, até ao Aeroporto.
No regresso, enfiadas num Toyota Corolla que se veio a revelar acanhado e mesquinho de espaço, a Sofia começou a queixar-se de dores de cabeça e de vontade de vomitar. Valeu-me a minha mãe, que se mudou para o banco de trás e tirou um saco de plástico da manga, evitando a limpeza a seco dos estofos do carro de aluguer. A Sofia vomitou todo o caminho de regresso a casa, chegou com 37,2º de febre e ficou a dormir em cima da cama, sem pijama nem nada, enquanto eu ia buscar o João e comprar jantar. A minha mãe tapou-a com uma mantinha e ficou com ela.
Cheguei às 20.30h, com o jantar ainda por fazer, para descobrir que não tinhamos posto a Sofia a fazer xixi e o edredão estava encharcado, ao mesmo tempo que o telefone não parava de tocar, com a noticia da nomeação do novo executivo do Agrupamento (finalmente).
Hoje o dia amanheceu frio e chuvoso, a Sofia não tem febre nem vómitos, mas ainda se queixa de dores de cabeça, o edredon está na máquina e eu tento convecer-me que o meu carrinho novo está avariado e que ontem não foi dia 13.

3 comentários:

Mãezite disse...

Há dias impossíveis!!
Espero que a Sofia já esteja boa e que já tenhas o teu carrito!
(mandei-te um mail antes de vir aqui)

Ana Abreu disse...

As melhoras para a pitufinha e pede substituição do carro! Novinho em folha e a pifar assim? Tu refila moça, tu refila ;)

jokitas

Sandra disse...

Realmente há dias para esquecer.
As melhoras da tua filhota.
Bjs