sábado, junho 24, 2006

Em Setembro

Ontem, durante o almoço, uma colega contou uma história que me marcou imenso. Passou-se com os pais de uma criança lá da escola e ela assistiu. Ao acompanhar a família a uma consulta de genética em Santa Maria, ouviu a funcionária dizer à mãe que a próxima consulta seria em Setembro, ao que a mãe respondeu: "E quando é isso?"
Depois da minha colega lhe ter explicado que seria no final do Verão, foi ter com o marido e disse-lhe que a próxima consulta seria em Setembro, ao que o marido retorquiu:
"E quando é isso?"
Fiquei fascinada. Acho que a felicidade deve passar por aí, por não se saber quando é Setembro.
Eu percebo que são pessoas com pouco escolaridade, pertencentes a uma etnia muito específica. Mas acho também que, se precisassem, saberiam quando é Setembro. Não precisam. Não é fantástico?
Queria não precisar do Tempo.

14 comentários:

Mamaíta disse...

Isto demonstra como tudo é relativo... o que para uns é muito importante, para outros nao tem interesse nenhum...
Beijinhos :)

Mãezite disse...

Pois. Do tempo, dos horários, da rotina... viver ao sabor da vida. Era bom, era.

titia disse...

Por isso é que é sempre tudo tão relativo...e com interesses diferentes...

BlueAngel disse...

De facto, era tão bom podermos levar a vida ao nosso sabor e sem preocupações horárias. Realmente, a importância das coisas é mais um dos aspectos relativos da vida!

Vodka e Valium 10 disse...

Eles escondem-se por detrás dessa etnia para poder fazer muitas coisas. Etnia nãod evia ser justificação para nada, nem para o bem nem para o mal.

Não fico fascinado, fico revoltado. Porque é que uns hão-de ter direitos e deveres e outros só direitos?

Elora disse...

Vodka:
Porque é que o facto de não saber quando é Setembro implica não ter deveres?
Será que não ter Tempo implica não ter deveres?

Rosa disse...

Basta deixares bem claro logo de início quem é que manda: "Senhor Tempo, aqui quem manda sou eu!". E pronto... :)

gnoveva disse...

olá! :)

isso de vivermos sem obrigações também tem muito que se lhe diga: era entediante. acredite-se ou não. a mim bastam-me 10 dias de férias-sem-dinheiro e fico perdida nas horas, à espera da rotina. acredito que se não têm muita escolaridade, também não devem ter muito dinheiro [é assim, nao é?] por isso provavalmente nem sequer são muito felizes. enfim, eu gosto de rotinas. rotinas adaptáveis, claro.

Atena disse...

Sendo eles de outra etnia conhcerão bem a língua portuguesa? Saberão eles os nomes dos meses em português?

BlueAngel disse...

Infelizmente, conheço quem não saiba ler mas sabe reconhecer, meses, horas, minutos e sim, preocupa-se com a organização horária. Infelizmente quando vê muitas letras fica como burroa olhar para palácio. E não é de nenhuma etnia diferente.

Elora disse...

gnoveva:
Não acho que falta de escolaridade implique falta de dinheiro, nem que falta de dinheiro implique infelicidade. Acredito que são factores frequentemente associados, não necessariamente associados.


Atena:
Não, o português não é problema, são de uma etnia diferente, mas ainda assim portugueses.

Beijinhos a todos.

Vitor disse...

Ainda falta quase um ano para o Spidey 3!

Só em maio de 2007 :(

Vitor disse...

Ah, ja agora! Conselho de amigo: não uses comentários em pop up. O blogger passa-se!

pvnam disse...
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